(F)alta serotonina


...

Às vezes para aqui em frente e fico pensando na vida.

Pensar não me dá trabalho nenhum, pensar, em mim, é até mais que um prazer: pensar, em mim, é uma regra.

Às

vezes

penso

em

nada,

mas eu nunca deixo de pensar.

Mesmo involuntariamente estou pensando, sem querer e sem me conscientizar sequer do quê e de quê penso.

Mas é isso daí: é assim mesmo,

bola prá frente,

se melhorar estraga, se piorar melhora,

muito doce é de jogar fora,

ou qualquer outro dizer popular desses infinitos e infindáveis que ouvimos no citidiano e que têm a função da conformidade, conformação, que nos fazem aceitar sem nenhum... sei lá..., a vida.



Escrito por ninguém às 15h47
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La possibilidad

Um rumo diferente... um rumo que difere... "um ramo que fere, de rosa que na pele seu espinho insere e faz do chão vermelho pelo sangue, tais suas pétalas rubras e olhos insones" (PEDRO MACHADO, 2008, Hoje).



Escrito por ninguém às 19h14
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Se essa rua...

De Violet para Juliet

Juliet,

passei pela rua que você disse que era sua, e que havia colocado pedras de brilhantes só para mim passar. No entanto, não eram pedras de brilhantes, eram cacos de vidro: cortei meus pés. O sangue jorrou um pouco no começo mas parou. As cicatrizes vão ficar para sempre.

com amor,

Violet.



Escrito por ninguém às 11h07
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San Pietro

São Pedro é um bairro aqui de Vitória que foi construído sob um lixão. Melhor esclarecendo, é um bairro que se originou de um lixão, onde hoje funciona uma usina de lixo. O próprio ex-papa João Paulo II já pisou lá. Não na usina, mas no bairro.

Neste mês, veja bem, neste mês apenas, dos dez homicídios que aconteceram na capital, seis foram em São Pedro.

Hoje o jornal local do meio dia publicou uma matéria que mostrava uma passeata realizada por moradores, líderes sindicais, pastores, representantes do comércio, dos direitos humanos, professores, enfim, pedindo a paz.

Para isso, bloquearam a avenida, que não por acaso dá acesso à uma faculdade particular de Vitória, e não por acaso existe uma boca de fumo colada no portão lateral da faculdade.

Segundo o repórter, o tráfico de drogas é o maior culpado das lastimáveis estatísticas, assim como quase tudo no Brasil. Pobre tráfico...

Detalhe que havia uma banda com bumbo e essas coisas, tipo escola de samba, tocando ´eu só quero ser feliz` na passeata, entre outros ritmos funkeiros.

Eu já escrevi aqui neste blog sobre a paz: a paz é o papai noel de adultos, ficam todos ansiosamente esperando e na verdade não existe.

Mas, diante deste fato, imaginei duas situações:

Uma é: imagine um cartaz com os dizeres: passeata pela paz, venha você também protestar pela paz! Com a presença dos Mc´s sinistro e boladão, Mc na veia, Mc bicho solto de condicional e Dj pistola zero bala. Venha você também pedir a paz nos maiores rits do momento!

A outra foi uma constatação óbvia minha: o ser humano nasce, cresce, assassina-se e morre.



Escrito por ninguém às 12h51
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Distant instant island

Assuntos chatos deveriam ser abolidos daqui. Já tentei, e não consegui. Assuntos chatos voltam à tona.

Hiperidrose axilar: suor excessivo nas axilas. Esse problema me acompanha. E talvez à milhares de brasileños tanbién.

Já havia me reportado anteriormente à isso.

Estive numa dermatologista para tratar o problema. Ela me passou uma dieta, aconselhou para não fumar, mostrando-me numa cartilha bem didática os malefícios do cigarro. E me indicou também para uma endocrinologista. Ou talvez tenha sido o contrário.

Mas o fato é que a segunda me indicou um desodorante roll on manipulado. Custou um pouco a mais que o convencional que usava. Resultado: ficou pior: além de não interferir em nada no suor, deixou um cheiro ruim prá porra.

Percebi que não era um problema de glândulas ou coisa parecida. Ou calor. Pois já estive em ambiente frio, com ar condicionado, e mesmo assim não parava de suar; e na praia, no calor do sol da praia eu sequer suo um gota em baixo dos braços.

Meu problema claramente é na cabeça.

M a s n ã o é à u m p s i có l o g o - colega de profissão - a quem devo me recorrer. N e m à u m p s i q u i ou t r a coisa dessa. Muito menos à à à um sacristão.

Eu devo recorrer você sabe bem - meu caro eder que lê meus escritos - você sabe bem a quem.

A quem escreve estes escritos.

Eu devo me recorrer a quem escreve estas blásfemas, efêmeras, tortas e tortuosas cantos de sabiás malancólicas linhas, porém ainda mal escritas e mal lidas, lidas como linhas tortas mesmo, sem ter escrito certo, linhas tortas que dizem continentes vazios, ilhas mortas que jazem palavras exuberantes jogadas ao acaso com a suave e refrescantemente alegre brisa oceânica de meus pensamentos.

 



Escrito por ninguém às 20h37
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Dias ruins

Dizem que você só da valor à algo depois que perde.

Eu não. E, também, eu não perdi. Ela está lá.

Mas eu estou aqui. Isso não quer dizer que eu a perdi, apenas estamos um pouco distantes.

Mas assim as coisas são, assim a vida é.

Ela está lá, a praia de Itaóca, aqui no ES. Realmente é uma praia que faz aflorar minha felicidade.

Eu amo aquele lugar. Não pelas pessoas que vão prá lá, não. Justamente o contrário.

Prefiro praias vazias, e, se possível, em dias levemente nublados.

Eu apaixono-me por esse lugar. Já me cansei de sonhar com aquela ilha, que me fascina.

Vivia sonhando com aquela ilha. Pqp, mas eu não consigo mais voltar lá, só de passagem, como quando fizemos ao voltar de Guaçuí, no último fim de semana.

Escolhemos vir pelo litoral e gastar mais tempo de viajem. Dane-se. Dane-se o pedágio também, o litoral vale mais do que encurtar a viagem, e vale muito mais do que uns dez conto de pedágio.

Mas pronto, estou em Vitória, enfurnado dentro de casa, com minhas axilas suando (por que elas não suam quando estou no calor muito maior da praia???), vivendo sonhando com praias. Pqp, véi.

Mas deixe-me ir que tenho alguns minutos antes da aula das duas, e tenho que estudar pois hoje irei apresentar meu trabalho sobre as residências terapêuticas; logo mais à noite irei em Cariacica entrevistar mais um participante, e amanhã tenho prova de alemão, quando completo dois anos de curso.

 



Escrito por ninguém às 10h44
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Dona Antonieta

Antonieta chegava em seu trampo já desejando que ele acabasse. Todos os dias, já em seu início, desejava seu declínio. Passava os dias esperando ansiosamente por seu fim.

Não que ela era uma aficcionada pela vida noturna - ela não saía à noite. Mas mesmo assim, ao final de cada dia, ela agradecia:´ainda bem que chega a noite`.

Porém ela era dona de casa, não saía de casa para o trabalho. Ela tinha medo de sair de dia.

Todos os dias ela ia na cama de seu filho arrumá-la.

Um dia, porém, seu filho quis ajudar, passou a arrumar a cama, livrando Antonieta desse esforço à mais.

Mas antonieta, como todos os dias, ia na cama de seu filho e arrumava. Mesmo ela estando arrumada, Antonieta sempre puchava o lençol e depois arrumava-o detalhadamente.

E seu filho continuou a arrumar sua cama, mesmo percebendo que sua mãe ia lá e também arrumava.

Mesmo arrumada, Antonieta não saía de casa.

Por que Antonieta tinha medo do dia e da noite.

Além disso, temia por seu filho, por estar na rua durante o dia a às vezes à noite.

Ela temia pelo tombo de seu filho. E não é que um dia seu filho vai e me cai? Ele caiu, foi um tombo razoável. Acontece em qualquer família.

Mas o que preocupava o filho, o que caiu, era que Antonieta sempre queria saber a altura do tombo. Ela sempre contava a altura do tombo, mesmo que seu filho nunca mais tivesse caído.

Mas Antonieta tinha também lados positivos: ela sempre estava arrumada, mesmo que ninguém pudesse vê-la.

Ela, mesmo com pessoas em casa, sempre estava só.



Escrito por ninguém às 11h40
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Sujas de sangue

Sentado aqui nesse chão frio

imagino que tenho algo que você tinha

e talvez algo que você queira

mas você tiraria essas pulseiras e as mandariam para mim?

Aqui nesse chão frio

desejo ter algo que você tinha

e talvez que você queira

corte sua mão num cactus, passe o sangue em suas pulseiras e as mande para mim.

Nesse chão

olhando pela fresta da porta

imagino que alguém irá passar

ou talvez algo que você queira

mas alguém realmente vai passar pela porta?

De qualquer forma, uma hora vai.

Mas alguém realmente mandaria seu vestido para mim?

E as pulseiras sujas de sangue?

Vou repetir: suje suas pulseiras com seu sangue e as mande para mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

não espere que o meu derrame



Escrito por ninguém às 15h58
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Meu mundo

Meu mundo caiu. Isaac newton outrora observara: as maçãs caem das árvores. E se esbufetam no chão.

Meu mundo caiu. Igual a maçã que Isaac newton observara. Eu não sei se ele chegou a comer a maçã esbufetada no chão.

Meu mundo caiu. Ele se esbufetou no chão. E fez um rugido parecido com "Let the good times Roll", do Jawbreaker.

Ele está sob meus pés. Não sei se Isaac newton chutou a maçã esbufetada no chão.

Mas eu chutei meu mundo, após ele cair. Outros demônios estavam lá também.

Mas eu não os chutei. Apenas o meu mundo.

Meu mundo caiu, caíram os demônios com ele.

Agora, após tê-los aos meus braços e me devolvendo o troco da cerveja - os demônios - eles se foram com o meu mundo.

Eu chutei meu mundo esbufetado no chão.

E com ele também chutei todos os demônios.

 



Escrito por ninguém às 19h14
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O Da Dor

 

Acordara com uma imensa dor no peito. Um arrependimento forçava os caminhos do pensamento, e fazia seu curso - o do pensamento.

Percebera que havia metal em seu tronco - em todo tórax, peito e parte do abdôme. 'Caralh..., tem uma porr... de barra de metal no meu ombro!'.

Uma dor imensa se fazia presente. É tão forte que paralisava.

Restava então dois caminhos de pensamento: o primeiro é que todos os dias eu acordaria com essa imensa pressão e em consequência forte dores.

Muitos condenariam toda a vida pelo fato de ter que acordar, todos os dias, com essa dor. Até deliberariam deixar a própria.

Outros se enalteceriam, dia após dia, com tamanha dor, e dela abençoariam toda a eternidade do aqui e agora. Aquele velho novo telejornal de tv. E da prória tirariam o estimulante para viver.

Não, não haviam dois caminhos, havia - e há - um só.



Escrito por ninguém às 19h38
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